"A arte existe para que a realidade não nos destrua." Friedrich Nietzsche



terça-feira, 24 de maio de 2011

Dos discursos pétreos



Breve dormir egípcio
por séculos parados
cristalino é o sigilo do espelho
de um vulto em mármore

Fantasmas calcinados contemplam,
inertes, a silente sabedoria pétrea
de uma face a muito distante
perdida
transfigurada à golpes
de tempo.
Só o tempo contorna uma imagem bela.

Pósteros dirão que imagem não comunica.
Procede.

A vida é uma bailarina.
Até quem arde em gélida moldura
transpira no ir e vir
das belezas frias

E quando o compasso dos dias
em trejeitos solenes
contemplar o semblante das esculturas
com fios de tempo
a Gioconda transbordará em risos
cristalinos
como é o sigilo do espelho
de um vulto em mármore
por séculos parados
em breve dormir egípcio.

Sábios dirão que a imagem dói.
Dói a imagem.

6 comentários:

Rosa Maria disse...

Karoline,

Este foi um dos melhores poemas que já li por aqui.
Lindo e super inteligente!

Um beijo,

Rosa Maria

LuH disse...

Oi, Karoline, td bem?
Obrigada pelas doces palavras e por compartilhar do meu espaço.
O pouco que vi por aqui, muito me encantou. Me sinto inundada de coisa boa, de arte, de poesia, que me faz ainda mais amar a arte de escrever.
As letras me consomem, me faço e desfaço...
Tb sou da psicologia, sou do Paraná, mas moro aqui em Fortaleza-CE, bem pertinho de vc
:)
Amo o Nordeste assim como amo minha terra. Estou feliz por aqui.

Prometo voltar e comentar seus posts, estou num período de atividade intensa, mas assim que der voltare com todo prazer compartilhar das suas letras.


Abç

Kass disse...

"cristalino é o sigilo do espelho" suas frases marcam.


bonito jeito de escrever.
bjãoo :)

Alicia disse...

dói a imagem
que a palavra
me faz
ver

Nina disse...

Este seu "Discursos pétreos" acompanha o "Ausência em mármore e o "Inquietudes", no hall dos meus textos preferidos.

Ouso dizer que os dois primeiros são meio-irmãos. Marcam pelo discurso e pelo estilo. Um leitor atento, ao lê-los aleatoriamente, percebe que foram escritos pela mesma pessoa.

Um beijo,
Nina.

LuH disse...

Meudeussss...
Será que consigo dar conta de comentar suas obras?

Karoline, você escreve com uma intensidade própria de quem sente a vida na pele, de quem a sente arder na alma, pulsar nas veias...

A imagem é impactante e não tenho como ficar imune ás suas letras...

Quanta arte
Arte que me toca e me faz doer...